sábado, 2 de outubro de 2010

4º Tri - 2010 - Lição - 01 Juvenis



PRIORIDADE MÁXIMA

Estamos numa era revolucionária. A ventania tempestuosa da transformação está soprando por todos os cantos O problema racial provoca inquietação e revolta desordenada. As nações se defrontam com problemas estonteantes de injustiça social, corrupção moral e crueldade humana. Que devem fazer os cristãos, numa hora dessas? Que posição a igreja deve tomar, diante de problemas tão complicados e profundos? Estas são perguntas que muitos estão fazendo hoje.
Quando Paulo escreveu aos cristãos na cidade de Éfeso, na província romana da Ásia, eles estavam se defrontando com problemas surpreendentemente idênticos. Metade da população do Império era composta de escravos, rebaixados a uma servidão tão completa, que eram negociados e vendidos como se fossem gado. Com exceção de uma pequena classe de aristocratas e patrícios ricos, a outra metade da população consistia de comerciantes e trabalhadores que, a muito custo, levavam uma vida precária, não muito longe da pobreza. A corrupção moral de Éfeso era legendária. Lá estava o centro do culto à deusa do sexo, a Diana dos Efésios. E quanto à crueldade, as legiões romanas estavam prontas para marchar a qualquer lugar, a fim de suprimir, sem dó nem piedade, qualquer sinal de revolta contra a autoridade do imperador. E este imperador era Nero, cuja vida sórdida e selvagem já constituía assunto de conversa em todo o império.
Ao escrever, Paulo se encontrava em Roma, como prisioneiro de César, esperando a hora de ser apresentado a Nero. Tinha permissão de viver em sua própria casa alugada, mas não podia andar livremente pela cidade. Dia e noite, ele estava acorrentado a um soldado. Vendo ao seu redor a vida decadente da cidade, e sabendo das condições que prevaleciam na distante Éfeso, que é que o apóstolo, ao lhes escrever, haveria de aconselhar aos cristãos? A resposta é surpreendente e oportuna:

Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados, com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, esforçando-vos diligentemente por preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz (Efésios 4:1-3). O que diz o apóstolo à igreja em Éfeso, em face das desesperadas exigências criadas pela necessidade humana? Qual é a sua resposta aos cidadãos oprimidos, que clamam por justiça e conforto, a quem ele escreve? Simplesmente isso: .Cumpri a vossa vocação! Não vos desvieis da estratégia divina. Obedecei às ordens que tendes recebido. Segui o vosso Cabeça!

Nesta admoestação, o apóstolo reconhece claramente a verdadeira natureza e função da igreja. Ela não é uma instituição-humana. Não deve projetar a sua própria estratégia e estabelecer suas próprias metas. Não é uma organização independente, que existe pela força de seus números. Ela é, isto sim, um corpo chamado para um relacionamento todo especial com Deus. Nesta carta aos Efésios, o apóstola usa uma série de figuras, que descrevem este relacionamento. A igreja, diz ele, é um corpo sob a direção de sua cabeça. Que tragédia não seria, se esse corpo se negasse a seguir as instruções de sua cabeça! A igreja também é um templo destinado à habitação e uso exclusivo de uma Pessoa que mora dentro dele e tem o direito de fazer o que quiser com esse templo. A igreja é um exército sob o comando de um rei. Um exército que não obedece a seu chefe, não serve como força de combate. Por isso, diz Paulo à igreja, obedecei às ordens e segui vosso Cabeça.
O próprio Paulo é um exemplo para eles. Depois de ficar definhando por dois anos como prisioneiro na Palestina (Cesaréia), ele foi mandado para Roma numa viagem marítima muito perigosa, que acabou em naufrágio na ilha de Malta. Mas, afinal, ele chegou a Roma. Foi prisioneiro pessoal de Nero, mas nenhuma vez em sua carta ele faz referência a si mesmo como sendo "o prisioneiro de César". Ele sempre diz, como aqui, "um prisioneiro no Senhor", ou "o prisioneiro do Senhor". Ele não se lamenta por estar na prisão, acorrentado e confinado. Leia sua carta aos Filipenses, escrita também nesta prisão, e achá-la-á cheia de alegria, triunfo e de confiança em que tudo está bem. Para Paulo, atrás de César está Cristo. Ele não se considera um prisioneiro de César, porque, além das correntes, do guarda e dos processos imperiais de justiça, vê a mão de Jesus, dirigindo.
Em sua carta aos Coríntios, Paulo diz: "não atentando nós nas cousas que se vêem, mas nas que se não vêem" (II Coríntios 4:18). Por quê? É que lá se acham as respostas últimas. Lá se acha a verdade última e o poder último. O próprio Jesus refletiu esta atitude, ao ser colocado perante Pôncio Pilatos. Este lhe disse: "Não sabes que tenho autoridade... para te crucificar?" Jesus replicou de imediato: "Nenhuma autoridade teria sobre mim, se de cima não te fosse dada" (João 19:10-11).
Boa parte da explicação para a confusão tão difundida na igreja de hoje, é o fato de que os cristãos têm olhado para as coisas visíveis, em vez de olharem para as que não podem ser vistas. Vemos um mundo que sofre, com necessidades humanas óbvias em toda parte. Ódio e fanatismo abundam; a injustiça predomina, e a miséria está presente para onde quer que nos voltemos. A solução óbvia parece se coordenar todos os recursos humanos a fim de enfrentar estas necessidades, Vamos trabalhar e fazer alguma coisa — e logo! Parece tão lógico, tão conseqüente e prático. Mas isto é porque nosso pensamento humano é limitado e superficial. Somente vemos as coisas visíveis. Nossa preocupação superficial com aspectos externos nos leva a tratar sintomas, e não causas. Aplicamos remédios via externa, que só funcionam no momento, se é que funcionam, e depois a situação é pior que antes.

A publicidade na “telinha”

As Escrituras Sagradas nos advertem: “Não porei coisa má diante dos meus olhos...” (Sl 101.3). Atualmente, essa advertência não é apenas divina, pois psicólogos e psiquiatras também alertam e advertem sobre os problemas causados pelo excesso de exposição à mídia, principalmente a TV. A criança brasileira é uma das que passam a maior parte do tempo livre diante da televisão. Segundo uma pesquisa do Painel Nacional de Televisão do Ibope, publicada no livro Crianças do Consumo, de Susan Linn, as crianças brasileiras de 4 a 11 anos assistem em média a 4h51 minutos de TV por dia. O Brasil ficou em primeiro lugar — antes dos Estados Unidos — na quantidade de tempo que as crianças ficam diante do televisor, principal veículo pelo qual as crianças são atingidas pela propaganda. A criança e o adolescente evangélico, que frequentam a ED, não estão de fora desses números. Eles também são alvo da propaganda e acabam se tornando consumistas inconscientes, adquirindo hábitos que são prejudiciais à saúde física, mental e espiritual, contrariando os princípios bíblicos. As crianças são um alvo fácil, pois não conseguem abstrair. O pensamento delas é concreto, literal. Veja o que nos diz a pesquisadora Susan Linn sobre isso.

“Até a idade de cerca de oito anos, as crianças não conseguem realmente entender o conceito de intenção persuasiva — segundo o qual cada detalhe de uma propaganda foi escolhido para tornar o produto mais atraente e para convencer as pessoas a comprá-lo” (2006, p. 22).

As cores, a música, o cenário, os personagens e os muitos efeitos especiais são estrategicamente pensados a fim de tornar o produto mais atraente. Objetivo é somente um: o lucro. Eles querem vender. Não estão pensando no que é realmente bom para as crianças e os jovens. A propaganda mexe com as emoções. Os publicitários sabem como fazer isso e o fazem muito bem. Pare e pense: Qual é seu comercial predileto? Você verá que a maior parte deles está relacionada à sua infância. Quantas recordações eles trazem até a sua mente. Você acaba sendo envolvido por um turbilhão de sentimentos e torna-se mais susceptível a adquirir alguns produtos, mesmo que não precise deles.

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