sexta-feira, 17 de setembro de 2010

3º - Tri-2010 - Jovens e Adulto - 12ª Lição


Lição 12 - O Tríplice Propósito da Profecia

Leitura Bíblica:1 Coríntios 12.4-10; 14.1-5

Variedade de línguas (diferentes tipos de línguas) é visto aqui como um ministério definido estabelecido por Deus na igreja. Ser cheio do Espírito e falar em línguas conforme a expressão vocal dada pelo Espírito não é o ministério de línguas. Em 1 Coríntios 12.28 e 30, a Palavra de Deus se refere a ministrar aos outros através de línguas e interpretação, como um dom de ministério.
Por exemplo, uma pessoa não ocupará o ofício de um após­tolo para abençoar a si mesma. Ocupar o ofício de um apóstolo, obedecer ao chamado de Deus para aquele ofício e ser equipado pelo Espírito para permanecer naquele ofício lhe dará condições para ministrar aos outros. Do mesmo modo, o ministério de profeta não é para uso ou ganho pessoal. O profeta é equipado pelo Espírito de Deus para que possa ministrar aos outros.
O mesmo é válido para o ministério de ensino. Alguém não recebe o dom de ensino para ensinar a si mesmo. Mesmo desfrutando dele, o mesmo é dado para ensinar aos outros, para ministrar aos outros. Variedade de línguas está na mesma lista de apóstolos, profetas, mestres. Não é algo para benefício pessoal na vida devocional. É algo para ser ministrado em assembléia públi­ca para o benefício dos outros. Este ministério não é para os leigos. É para aqueles chamados para o ministério quíntuplo.
Ser cheio do Espírito com o falar em línguas é para uso e edificação pessoais — e não para os outros.
1.  Trata-se primariamente de um dom devocional.
2.  Paulo disse à igreja de Corinto: Dou graças ao meu Deus porque falo em outras línguas mais do que todos vós (1 Co 14.18), mostrando que era primariamente um dom devocio­nal em sua vida de oração, louvor e adoração a Deus. Todas as línguas em essência são as mesmas, mas o seu uso, propósito e finalidade são diferentes. Somente poucas pessoas entre aquelas que são cheias do Espí­rito e falam em outras línguas serão usadas no ministério público de línguas. É por isso que Paulo pergunta: ... Falam todos em outras línguas? (v.30). Obviamente a resposta é não.
Alguns tiram o versículo 30 do contexto e dizem: "Falar em línguas não é para todos." Eles tentam fazer o ministério de línguas igual ao dom de línguas que cada crente cheio do Espírito tem operando em sua própria vida de oração parti­cular. E não é o caso.
Pelo contexto, fica claro que Paulo se refere ao ministério de línguas ou diversidade de línguas.

Indo um passo além, o que Paulo está falando aqui nessa lista de dons do ministério juntamente com o apóstolo, o profeta, e o mestre, é a respeito de algo totalmente distinto daquilo que os leigos chamam de "falar em línguas". Pois aqui trata-se de um ministério. Aplica-se àqueles que foram chamados para minis­trar desse modo, e se aproxima mais intimamente do ofício de profeta.

Texto extraído da obra: Os dons do ministério - Kenneth E. Hagin




 

DONS ESPIRITUAIS: INSTRUÇÃO, EDIFICAÇÃO E CONSOLAÇÃO
  É importante você considerar o contexto histórico e religioso da cidade de Corinto. A religião na Grécia antiga era bastante diversificada. Qualquer articulação de linguagem, como impostação de voz, apontando para um suposto “êxtase” era tida como manifestação sobrenatural dos deuses. Sobre este contexto religioso o teólogo americano, Lawrence O. Richards, escreve:
 
 No mundo antigo, palavras articuladas em êxtase eram vistas como sinal de possessão pelos deuses. A epilepsia era uma “doença divina” e o resmungar de sacerdotisas drogadas, em determinados oráculos, como o de Delfos, era considerado transmissão de mensagens dos deuses. Paulo se refere a isso ao observar que, quanto aos pagãos e ignorantes, “deixáveis conduzir-vos aos ídolos, mudos, segundo éreis guiados”.
O problema era que essa atitude em relação ao dom persistiu nos convertidos ao cristianismo. Em decorrência, dons espirituais como os de língua eram considerados por muitos em Corinto como evidência do contato íntimo com Deus. Os portadores desse dom eram mais espirituais. Até mesmo quando seus dons contradiziam as verdades fundamentais do cristianismo, alguns estavam suficientemente espantados para acreditarem neles. É contra esse contexto cultural que Paulo desenvolveu ensinamentos sobre a verdadeira espiritualidade, dons espirituais e o exercício adequado dos dons de línguas.[1] 

O texto de 1 Coríntios 12.1-3 denota uma escandalosa influência das religiões pagãs na liturgia de culto da igreja grega. O livre exercício dos dons espirituais em detrimento do “Fundamento dos apóstolos”[2] deixava claro que aquela igreja estava fadada a cair em um exibicionismo egoísta, ilógico e tolo.  
Pode uma igreja cristã desenvolver práticas por influências de outras manifestações religiosas? Quando uma comunidade perde o foco do “Fundamento”, da “Comunhão”, da “Oração” e do “Serviço”, tudo contribui, como consequencia natural, Para o distanciamento dos princípios mais básicos e simples do evangelho.
Não há coincidência em o capítulo 13 de 1 Coríntios está inserido entre os capítulos 12 e 14 da mesma epístola. O apóstolo Paulo tem o objetivo de alertar a igreja de Corinto para o fato de a prática espiritual, desprovida do verdadeiro amor, ser caracterizada de pagã e egoísta. O uso dos dons espirituais, com os destaques das línguas e profecias, não tem outro objetivo que a Edificação, Exortação e Consolação do outro. Aquele irmão e/ou irmã, que em sua coletividade formam o “corpo místico de Cristo”, é a razão e o fim para qualquer manifestação do dom espiritual (Ef 4.11-14 cf. 1 Co 14.3).  
O corpo é uma das figuras mais importantes na conceituação de Igreja. “... A necessidade de aproximação, relacionamentos interpessoais e fraternais são condições necessárias para o funcionamento dos dons espirituais”[3]. Como o corpo precisa do pleno funcionamento dos órgãos para a vitalidade de sua vida, a igreja precisa daquelas caracteríscas, descritas acima, no exercício de seus dons espirituais, para de fato, ser o “Corpo de Cristo”.
O uso das Línguas (com intérprete) e da Profecia participa de um contexto onde a instrução, o encorajamento e a consolação, são os objetivos centrais na construção de uma vida cristã sadia.


Texto extraído da obra: RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse Capítulo por Capítulo. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 768.

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